Jurisdição indígena e pluralismo jurídico na América Latina: estudo de caso sobre a justiça Waiwai
DOI :
https://doi.org/10.5102/rbpp.v9i2.6058Mots-clés :
Pluralismo Jurídico. Direito Constitucional. Jurisdição Indígena. Waiwai.Résumé
O estudo ora apresentado busca não só descrever uma relação mais complexa e interativa entre formas jurídicas oficiais e não oficiais, mas também desenvolver hipóteses concernentes ao seu encadeamento, a fim de explorar se o pluralismo jurídico expressa características do constitucionalismo latino-americano. O caso de Denilson Trindade, indígena habitante da comunidade Manoá-Pium, que foi “condenado a waiwaizar”, após ser denunciado pelo Ministério Público por haver assassinado seu irmão, é utilizado para ilustrar o estado da arte do pluralismo jurídico no Brasil. Além disso, explora-se material empírico, proveniente de fontes etnográficas secundárias, bem como a revisão de estudos sociojurídicos acerca dos conceitos trabalhados. Oferta-se ao leitor alguma evidência que talvez possa haver a respeito do pluralismo jurídico no Brasil e, por conseguinte, do reconhecimento da legitimidade de jurisdições indígenas. Uma análise “generalizante” do caso exige um diálogo intercultural, confluindo para o enriquecimento recíproco entre as culturas jurídicas “originárias” e “contemporâneas” da América Latina. A discussão revela que o pluralismo jurídico é um conceito-chave e parte integrante do acervo comum do constitucionalismo latino-americano. Ainda que seja um caso detentor de significado próprio, será preciso observar em outros casos futuros o desdobramento deste precedente. Nestes limites, este estudo traz à baila uma descrição sociojurídica sobre o confronto entre jurisdições estatais e indígenas.Références
ACOSTA, Alberto. O bem viver: uma oportunidade para imaginar outros mundos. São Paulo: Autonomia Literária, Elefante, 2016.
AFONSO DA SILVA, José. Ordenação constitucional da cultura. São Paulo: Malheiros, 2001.
BRASIL. Tribunal de Justiça do Estado de Roraima.
Ação Penal n. 0090.10.000302-0. Julgado em 03 de setembro de 2013.
Apelação Criminal n. 0090.10.000302-0. Julgado em 18 de dezembro de 2015.
BERNSTEIN, Lisa. Opting out of the legal system: Extralegal contractual relations in the diamond industry. The Journal of Legal Studies, Chicago, V. 21, n. 1, pp. 115-157, 1992.
BOGDANDY, Armin von. Ius Constitutionale Commune en América Latina: una mirada a un constitucionalismo transformador. Revista Derecho del Estado, Bogotá, n. 34, pp. 3-50, jan.-jun., 2015.
BURMAN, Sandra; HARRELL-BOND, Barbara. The Imposition of Law. Nova Iorque: Academic Press, 1979.
GRIFFITHS, John. What is legal Pluralism? Journal of Legal Pluralism and Unofficial Law, Oxfordshire, V. 18, n. 24, p. 1-55, 1986.
HÄBERLE, Peter. La Constitución como Cultura. Anuário Iberoamericano de Justicia Constitucional, Madrid, n. 6, pp. 177-198, 2002.
HELDER GIRÃO BARRETO, Direitos indígenas: vetores constitucionais. 1ª ed., 6a Reimpressão. Curitiba: Juruá, 2011.
HOWARD, Catherine. Wrought identities: the Waiwai expeditions in search of the “unseen tribes” of Northern Amazonia. 2001. 594 f. Tese (Doutorado). Programa de Pós-Graduação em Antropologia. Faculdade de Ciências Sociais, Universidade de Chicago, Chicago, 2001.
LANG, Miriam. Presentación. In: SANTOS, Boaventura de Sousa. (Org.) Justicia indígena, plurinacionalidad e interculturalidad en Ecuador. 1ª ed. La Paz: Ediciones Abya-Yala, 2012, pp. 9-11.
LLEDÓ PÉREZ, Juan A. Teorías Críticas del Derecho. In: VALDÉS, Ernesto Garzón; LAPORTA, Francisco J. (Org.) El derecho y la justicia. Buenos Aires: Editorial Trota, 2000. pp. 82-102.
MACAULAY, Stewart. Non-contractual Relations in Business: A Preliminary Study. American Sociological Review, Chicago, V. 28, n. 1, pp. 55-67, fev., 1963.
MERRY, Sally Engle. Legal Pluralism. Law & Society Review, Massachusetts, Vol. 22, No. 5, pp. 869-896, 1988.
MONDRAGÓN, Aracely. Interculturalidad, historias, experiencias y utopías. México: Universidad Intercultural del Estado de México, 2010.
MOORE, Sally Falk. Politics, Procedures, and Norms in Changing Chagga Law. Africa: Journal of the International African Institute. Cambridge, Reino Unido, Vol. 40, no. 4, pp. 321-344, Out., 1970.
OLIVÉ, Juan Carlos Ferré. Diversidad cultural y sistema penal. De Jure: Revista Jurídica do Ministério Público do Estado de Minas Gerais, Belo Horizonte, n. 13, pp. 25-40, jul/dez 2009.
OSORIO, Martín Bazurco; y RODRÍGUEZ, José Luis Exeni. “Bolivia: Justicia indígena en tiempos de plurinacionalidad.” In: SANTOS, Boaventura de Sousa; et al (Orgs.). Justicia indígena, plurinacionalidad e interculturalidad en Bolivia. 1ª ed. La Paz: Ediciones Abya-Yala, 2012, pp. 49-145.
RODRÍGUEZ GARAVITO, César A.; ARENAS, Luis Carlos. Derechos indígenas, activismo transnacional y movilización legal: la lucha del pueblo U’wa en Colombia. In: SANTOS, Boaventura de Sousa; et al. (ed.), El derecho y la globalización desde abajo: hacia una legalidad cosmopolita. Barcelona: Anthropos, 2007. pp. 217-239.
ROULAND, Norbert. Legal Anthropology. Londres: The Athlone Press, 1994.
SANTOS, Boaventura de Sousa.
Law: A Map of Misreading. Toward a Postmodern Conception of Law. Journal of Law and Society, Cardife, v. 14, nº. 3, pp. 279-302, 1987.
Para um novo senso comum: a ciência, o direito e a política na transição paradigmática. São Paulo: Cortez, 2001a.
El Estado y el derecho en la transición pós-moderna: por un nuevo sentido común sobre el poder y el derecho. In: COURTIS, Christian. Desde otra mirada: textos de teoria crítica del Derecho. Buenos Aires: Editorial Universitário de Buenos Aires, 2001b. pp. 273-303.
Reconhecer para libertar os caminhos do cosmopolitismo multicultural. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.
Refundación del Estado en América Latina. Perspectivas desde uma epistemologia del Sur. 1ª reimpr. La Paz: Plural Editores, 2010.
(Org.) Justicia indígena, plurinacionalidad e interculturalidad en Bolivia. 1ª ed. La Paz: Ediciones Abya-Yala, 2012.
Cuando los excluidos tienen Derecho: justicia indigena, plurinacionalidad e interculturalidad. In: Justicia indígena, plurinacionalidad e interculturalidad en Ecuador. 1ª ed. La Paz: Ediciones Abya-Yala, 2012.
O direito dos oprimidos: sociologia crítica do direito, parte 1. São Paulo: Cortez, 2014.
SHAFFER, Gregory C.; POLLACK, Mark A., Hard vs. Soft Law: Alternatives, Complements and Antagonists in International Governance. Minnesota Law Review, Vol. 94, pp. 706-99, 2010.
SCHULER ZEA, Evelyn. (Trans)Formações Waiwai. In: Reinaldo Imbrozio Barbosa; Valdinar Ferreira Melo. (Org.). Roraima: Homem, Ambiente e Ecologia. Boa Vista: FEMACT, 2010, pp. 171-194.
STRECK, Lenio Luiz; OLIVEIRA, Fábio Corrêa de. Reflexões sobre o novo constitucionalismo latino-americano. In: SANTOS, Gustavo Ferreira; et al (org.) Direitos e democracia no novo constitucionalismo latino-americano. Belo Horizonte: Arraes Editores, 2016, pp. 119-144.
SZTUTMAN, Renato. Sobre a ação xamânica. In: GALLOIS, Dominique Tilkin. (org.) Redes de Relações nas Guianas. Série Redes Ameríndias – NGII-USP. São Paulo: Editora Humanitas, 2005, pp. 151-226.
VIEIRA, José Ribas; DYNIEWICZ, Letícia Garcia Ribeiro. Estado Plurinacional na América Latina: diálogo conceitual entre multiculturalismo canadense e teoria pós-colonial. In: DE MORAIS, Jose Luis Balzan; et al. (Orgs.). Novo constitucionalismo latino-americano: o debate sobre novos sistemas de justiça, ativismo judicial e formação de juízes. Belo Horizonte: Arraes Editores, 2014, pp. 18-36.
WOLKMER, Antonio Carlos. Pluralismo jurídico: Fundamentos de uma nova cultura no Direito. 3ª ed. Revista e atualizada. São Paulo: Editora Alfa Omega, 2001.
YIN, Robert K. Estudo de caso: planejamento e métodos. Trad. Daniel Grassi. 2a Edição. Porto Alegre: Bookman, 2001.
YRIGOYEN FAJARDO, Raquel. Pautas de coordinación entre el derecho indígena y el derecho estatal. Guatemala: Fundación Myrna Mack, 1999.
Téléchargements
Publié
Numéro
Rubrique
Licence
“Eu XXXX declaro que em caso de aceitação do artigo inédito, a Revista Brasileira de Políticas Públicas passa a ter os direitos autorais a ele referentes sendo vedada qualquer reprodução total ou parcial, em qualquer outro meio de divulgação impresso ou eletrônico. Em caso de necessidade, autorização prévia deverá ser solicitada por escrito junto ao Editor-gerente da RBPP”.
Revista Brasileira de Políticas Públicas do UniCEUB está licenciada sob uma LICENÇA CREATIVE COMMONS licence Creative Commons Attribution 4.0 International.
http://www.publicacoesacademicas.uniceub.br/