Criminalização de mulheres pela lei de drogas nos discursos do Tribunal de Justiça de Sergipe

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DOI :

https://doi.org/10.5102/rbpp.v12i1.7422

Mots-clés :

Criminologia, Drogas, Genocídio, Seletividade,

Résumé

Esse artigo se propõe a analisar a criminalização de mulheres pela Lei de Drogas através de uma sobreposição de marcadores sociais, como raça, classe e gênero nos discursos das decisões do Tribunal de Justiça de Sergipe. Ao longo do desenvolvimento, a proposta se alinha com uma crítica à Criminologia Feminista e à necessidade de um espaço epistêmico, onde seja atribuído às mulheres afro-latino-americanas a capacidade de falarem sobre si, suas trajetórias históricas e suas necessidades. Em especial, às mulheres negras, foco da pesquisa, visto que estão situadas na base das pirâmides sociais e, em decorrência das inúmeras vulnerabilidades que as atingem, mais propensas à persecução penal. O artigo apresenta e discute dados sobre a política genocida do estado e os interpreta sob a luz das discussões sobre os processos criminalizantes destas mulheres, a partir de um método descritivo, amparada pela revisão bibliográfica e análise documental. Demonstrou o descaso do poder judiciário em se atentar as diversas desigualdades sociais, raciais e de gênero que as mulheres condenadas pela citada lei estão submetidas, bem como a expressa motivação econômica e dos relacionamentos afetivos e/ou familiares na prática delitiva. A discussão se reveste de uma extrema necessidade visto que o ensino jurídico academicista não está preocupado em fazê-lo, tampouco o sistema está interessado em se reformular.

Biographies de l'auteur-e

  • Ithala Oliveira Souza, Universidade Tiradentes
    Acadêmica de Direito na Universidade Tiradentes. Bolsista de Iniciação Cientifica CNPq/Brasil.
  • Ilzver de Matos Oliveira, Prof. Dr. na Pontifícia Universidade Católica do Paraná
    Doutor em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC-RIO (2014) e professor do Mestrado em Direitos Humanos da Universidade Tiradentes (UNIT), em Sergipe. É Mestre em Direito pela Universidade Federal da Bahia - UFBA (2008). Foi bolsista do Programa Internacional de Bolsas de Pós-graduação da Fundação Ford - Internacional Fellowship Program - IFP. Realizou Mestrado-Sanduíche no Centro de Estudos Sociais- CES da Universidade de Coimbra, sob a co-orientação do Professor Dr. Boaventura de Sousa Santos. Possui graduação em Direito pela Universidade Federal de Sergipe - UFS (2004). Atuou como advogado na ONG Instituto Braços - Defesa de direitos e controle social (2012), atuando na defesa judicial e atendimento sócio-jurídico de jovens envolvidos em atos infracionais, e atualmente é Membro da Associação de Pesquisadoras e Pesquisadores pela Justiça Social - ABRAPS (2008) e da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros - ABPN (2012). Tem experiência na área de Direito, com ênfase em Direito Público, Direito Constitucional e Direitos Humanos, com atuação nos temas desigualdade racial, juventude, violência, intolerância religiosa e políticas públicas.
  • Daniela de Andrade Souza
    Mestre em Direitos Humanos pela Universidade Tiradentes- UNIT/SE (2020). Especialista em Gênero e Sexualidade na Educação pela Universidade Federal da Bahia (2020). Bacharel em Direito pela Universidade Tiradentes (2018). Realizou período sanduíche na Faculdade de Direito da Universidade do Porto como bolsista do Programa Santander Universidades de Bolsas Ibero-Americanas (2014). Coordenadora Adjunta do Laboratório de Ciências Criminais do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais de Sergipe(IBCCRIM/SE). Presidente da Comissão de Direito Homoafetivo e de Gênero do Instituto Brasileiro de Direito de Família- IBDFAM/SE. Participante da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da OAB/SE. Pesquisadora do Grupo de Pesquisa Gênero, Família e Violência do Diretório de Pesquisas do CNPq. Advogada OAB/SE.

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Publié

2022-05-02

Numéro

Rubrique

Gênero

Comment citer

Criminalização de mulheres pela lei de drogas nos discursos do Tribunal de Justiça de Sergipe. (2022). Revista Brasileira de Políticas Públicas, 12(1). https://doi.org/10.5102/rbpp.v12i1.7422