Perfil epidemiológico do traumatismo raquimedular em um hospital de referência do Distrito Federal: um estudo retrospectivo

Stéfany Lorrany Silva de Castro, Thatiane Gabriela Guimarães Pereira, Marcello Oliveira Barbosa

Resumo


O trauma raquimedular (TRM) é uma agressão à medula espinhal que pode acarretar prejuízos
neurológicos graves, desde alterações das funções motora, sensitiva e autônoma até
síndromes incapacitantes. Trata-se de estudo quantitativo, retrospectivo e descritivo que
objetivou levantar o perfil epidemiológico do traumatismo raquimedular no âmbito da
Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal nos últimos 3 anos, das vítimas que foram
encaminhadas ao Hospital da Região Leste (HRL), referência em lesões da coluna vertebral, a
fim de promover uma avaliação minuciosa a partir de fonte secundária de dados (prontuário
eletrônico), analisando a distribuição e os determinantes das lesões medulares traumáticas e
possibilitar posteriores proposições de estratégias de prevenção para reduzir a incidência do
TRM no DF. Observou-se que 83,33% dos pacientes pertenciam ao gênero masculino, com
média de idade de 40,29 anos. A etiologia mais frequente foi acidente automobilístico, com
faixa etária de maior ocorrência de 36 a 45 anos, representando 47,5% do total, dos quais
45,61% envolveram motocicletas. Queda de altura ficou em segundo lugar, com 30,83% e
faixa etária de maior acometimento entre 56 e 65 anos, sendo que a totalidade de TRMs
decorrentes de tentativa de autoextermínio se enquadram nesta etiologia e representam
3,33% do total das lesões raquimedulares estudadas. As 5 cidades do DF que abrigam quase
50% da situação de pobreza extrema contaram com 41,58% dos TRMs. Dos 120 prontuários,
39 apresentavam relato de atendimento pré-hospitalar por equipe profissional. Para as lesões
em si, foi encontrada predominância de nível radiológico em coluna torácica (44,16%), seguida
por cervical (31,5%) e lombar (18,34%). A classificação ASIA mais prevalente nos casos
estudados foi A (55%), com C, D e B ordinalmente com aproximadamente 15% cada. O
tratamento majoritariamente de escolha foi a artrodese, totalizando 83,49% dos casos. As
complicações mais frequentemente associadas ao TRM foram úlcera por pressão, pneumonia,
atelectasia, infecção de trato urinário e espasticidade. A média de internação foi de 42,56 dias
em enfermaria, e 66,66% dos pacientes necessitaram internação em UTI. 6,67% dos pacientes
evoluíram para óbito. Os custos totais com o tratamento do TRM para a SES-DF durante os 3
anos foi de aproximadamente R$3.140.736,51, com custo médio por paciente de R$8.078,01.
Este estudo possibilitará planejamento de políticas públicas relacionadas ao trauma
raquimedular no Distrito Federal, visto que os dados demonstram ambientes e público de
maior necessidade de atuação para prevenção primária e secundária, além de permitir a
melhor abordagem de acordo com as características epidemiológicas das lesões e melhor
alocação de recursos voltados ao seu tratamento.


Palavras-chave


Traumatismo raquimedular; Lesão medular traumática; TRM.

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DOI: https://doi.org/10.5102/pic.n0.2020.8319

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