O diálogo hermenêutico e a pergunta adequada à aplicação dos tratados internacionais de direitos humanos no Brasil: caminhos para o processo de internacionalização da constituição
DOI:
https://doi.org/10.5102/rdi.v12i2.3655Palabras clave:
Diálogo hermenêutico, Constituição, Tratados internacionais de direitos humanos, Internacionalização do Direito.Resumen
O objetivo deste artigo consiste em recompor a paisagem entre o direito interno e o direito internacional a partir do fenômeno da constitucionalização do direito internacional proporcionado pela Constituição Federal de 1988 e a recepção dos tratados internacionais de direitos humanos. O trabalho é guiado por uma análise de caráter fenomenológico-hermenêutica, a partir do referencial teórico de Gadamer e a ideia de diálogo, estruturado sob a dinâmica da pergunta e da resposta. No início, elabora-se uma crítica dirigida à deficiência teórico-interpretativa do imaginário jurídico dominante que, tanto na doutrina como na jurisprudência do STF, consegue superar à lógica do discurso formal do status hierárquico-normativo (positivista) na aplicação dos tratados internacionais de direitos humanos no Brasil antes e depois da introdução do § 3º no art. 5º pela Emenda Constitucional nº 45/2004. Diante desse cenário, mais do que uma proposta de diálogos interjurisdicionais, com base na crítica hermenêutica do diálogo, objetiva-se mais profundamente demonstrar que existem outros caminhos para a normatividade dos tratados internacionais de direitos humanos os quais transcendem a simples redução da definição de sua posição hierárquica ou de uma comunicação entre cortes nacionais e internacionais. Por fim, sob a desconstrução do paradigma hierárquico-normativista de caráter positivista, busca-se demonstrar a adequada compreensão (teórico-normativa) e dialógica entre Constituição e tratados internacionais de direitos humanos como novos horizontes da normatividade constitucional e do processo de internacionalização do Direito.Referencias
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Ação Direta de Inconstitucionalidade. ADI MC nº 1480 DF. Tribunal Pleno. Requerente: Confederação Nacional do Tran¬sporte; Confederação Nacional da Indústria. Requerido: Presidente da Republica; Congresso Nacional. Relator: Min. Celso de Melo. Brasília, 04 de setembro de 1997. Disponível em: <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/ paginador.jsp?docTP=AC&docID=347083>. Acesso em: 09 set. 2016.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Habeas Corpus. HC nº 72131 RJ. Tribunal Pleno. Paciente: Lairton Al¬magro Vitoriano da Cunha. Coator: Tribunal de Ju¬stiça do Estado do Rio de Janeiro. Relator: Min. Marco Aurélio. Brasília, 23 de novembro de 1995. Disponível em: <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador. jsp?docTP=AC&docID=73573>. Acesso em: 11 out. 2015.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Habeas Corpus. HC nº 77527 MG. Tribunal Pleno. Paciente: João Cor¬doval de Barros. Coator: Tribunal de Alçada do Estado de Minas Gerais. Relator: Min. Marco Aurélio. Brasília, 23 de setembro de 1998. Disponível em: . Acesso em: 09 set. 2016.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraor¬dinário. RE nº 206482 SP. Tribunal Pleno. Recorrente: Ministério Público Federal. Recorrido: Pedro Luiz de Oliveira. Relator: Min. Maurício Corrêa. Brasília, 27 de maio de 1998. Disponível em: <http://stf.jusbrasil. com.br/jurisprudencia/14698605/recurso-extraordi¬nario-re-206482-sp>. Acesso em: 09 set. 2016.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraor¬dinário. RE nº 466343. Tribunal Pleno. Recorrente: Ban¬co Bradesco S/A. Recorrido: Luciano Cardoso Santos. Relator: Min. Cezar Peluso. Brasília, 03 de dezembro de 2008. Disponível em: <http://redir.stf.jus.br/pagina¬dorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=595444>. Acesso em: 11 out. 2015.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recurso Extra¬ordinário. RE nº 80004 SE. Tribunal Pleno. Recor¬rente: Belmiro da Silveira Goes. Recorrido: Sebastião Leão Trindade. Relator: Min. Xavier de Albuquerque. Brasília, 1 de junho de 1977. Disponível em: . Acesso em: 11 out. 2015.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recurso Ordinário em Habeas Corpus. RHC nº 79785 RJ. Tribunal Pleno. Recorrente: Jorgina Maria de Freitas Fernandes. Recor¬rido: Ministério Público Federal. Relator: Min. Sepúlve¬da Pertence. Brasília, 29 de março de 2000. Disponível em: <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador. jsp?docTP=AC&docID=102661>. Acesso em: 11 out. 2015.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Recurso Ordinário em Habeas Corpus. RHC nº 81.319/GO. Tribunal Ple¬no. Recorrente: Nilo Lottici Júnior. Recorrido: Rela¬tor do RE nº 299401. Relator: Min. Celso De Mello. Brasília, 24 de abril de 2002. Disponível em: . Acesso em: 09 set. 2016.
BURGORGUE-LARSEN, Laurence. De l’internatio¬nalisation du dialogue des juges: Missive doctrinale à l’attention de Bruno Genevois. In: BADINTER, Ro¬bert et al. Le dialogue des juges: mélanges en l’honneur du président Bruno Genevois. Paris: Dalloz, 2009. p. 95-130. Disponível em: <http://www.univ-paris1.fr/ fileadmin/IREDIES/Contributions_en_ligne/L._ BURGORGUE-LARSEN/M%C3%A9lang es/ LBL_M%C3%A9langes_Genevois-1.pdf>. Acesso em: 17 out. 2015.
BUSTOS GISBERT, Rafael. Diálogos jurisdicciona¬les en escenarios de pluralismo constitucional: la pro¬tección supranacional de los derechos en Europa. In: MAC-GREGOR, Eduardo Ferrer; LELO DE LAR¬REA, Arturo Zaldívar (Coord.). La ciencia del derecho pro¬cesal constitucional: estudios en homenaje a Héctor Fix- Zamudio en sus cincuenta años como investigador del derecho. México: UNAM, 2008. (Derechos humanos y 191 tribunales internacionales, 9). p. 753-775.
BUSTOS GISBERT, Rafael. Pluralismo constitucional y diálogos jurisprudenciales. México: Porrúa, 2012.
CANÇADO TRINDADE, Antônio Augusto. De¬safios e conquistas do direito internacional dos direitos hu¬manos no início do século XXI. 410-411. Disponível em: <http://www.oas.org/dil/esp/407490%20can-cado%20trindade%20OEA%20CJI%20%20.def. pdf#page=5&zoom=auto,0,497>. Acesso em: 17 out. 2015.
CANOTILHO, J. J. Gomes. “Brancosos” e a interconstitu¬cionalidade: itinerários dos discursos sobre a historicidade constitucional. 2. ed. Lisboa: Almedina, 2008.
COMPARATO, Fábio Konder. A afirmação histórica dos direitos humanos. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2007.
DELMAS-MARTY, Mireille. Les forces imaginantes du droit: la refondation des pouvoirs. Paris: Seuil, 2007. v. 3.
DELMAS-MARTY, Mireille. Les forces imaginantes du droit: le pluralisme ordonné. Paris: Seuil, 2006. v. 2.
DELMAS-MARTY, Mireille. Les forces imaginantes du droit: le relatif et l’universel. Paris: Seuil, 2004. v. 1.
DELMAS-MARTY, Mireille. Por um direito comum. Trad. Maria Ermantina de Almeida Prado Galvão. São Paulo: M. Fontes, 2004.
DELMAS-MARTY, Mireille. Três desafios para um direito mundial. Trad.
Fauzi Hassan Choukr. Rio de Janeiro: Lu¬men Júris, 2003.
DWORKIN, Ronald. O império do direito. Trad. Jefferson Luiz Camargo. 2. ed. São Paulo: M. Fontes, 2007.
FERREIRA, Rafael Fonseca. Diálogos hermenêuticos em di¬reitos humanos: em busca da(s) pergunta(s) adequadas(s) para a aplicação dos tratados internacionais de direitos humanos no Brasil. Disponível em: <http://www.re-positorio.jesuita.org.br/handle/UNISINOS/3693>. Acesso em: 15 out. 2015.
FERREIRA, Rafael Fonseca; LIMBERGER, Temis. O diálogo hermenêutico como horizonte de uma nova paisagem no Direito: crítica à racionalidade autoritária dispensada aos tratados de direitos humanos no Brasil. In: SOUZA SILVA, Karine de; ARARUNA SANTIA¬GO, Nestor Eduardo (Org.). Direito constitucional, direitos humanos e direito internacional. Barcelona: Laborum, 2015. p. 155-176.
GADAMER, Hans-Georg. O problema da consciência hi¬stórica. Tradução Paulo César Duque Estrada. 2. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2003.
GADAMER, Hans-Georg. Verdade e método I: traços fundamentais de uma hermenêutica filosófica. 12. ed. Trad. Flávio Paulo Meurer. Petrópolis: Vozes, 2012.
GALÁN, Pedro Cerezo. Reivindicación del diálogo. Madri: Real Academia de Ciencias Morales y Políticas, 1997.
GARCÍA ROCA, Javier. El diálogo entre el Tribunal Europeo de Derechos Humanos y los tribunales con-stitucionales en la construcción de un orden público europeo. Teoría y Realidade Constitucional, Madrid, n. 30, p. 183-224, 2012.
GARCÍA ROCA, Javier; NOGUEIRA ALCALÁ, Humberto; BUSTOS GISBERT, Rafael. La comunicación entre ambos sistemas y las características del diálogo. In: ______ et al. (Org.). El diálogo entre los sistemas europeo y americano de derechos humanos. Madrid: Civitas, 2012. p. 66-107.
HÄBERLE, Peter. Pluralismo y constituición: estúdios de teoria constitucional de la sociedad aberta. Madrid: Tec¬nos, 2002.
HITTERS, Juan Carlos. Control de constitucionalidad y control de convencionalidad: comparación: criterios fijados por la Corte Interamericana de Derechos Huma¬nos. Estudios Constitucionales, v. 7, n. 2, p. 109-128, 2009.
KELSEN, Hans. Teoria geral do direito e do Estado. Trad. Luís Carlos Borges. 4. ed. São Paulo: M. Fontes, 2005.
KELSEN, Hans. Teoria pura do direito. Trad. João Bapti¬sta Machado. 8. ed. São Paulo: M. Fontes, 2009.
LAFER, Celso. A internacionalização dos direitos humanos: constituição, racismo e relações. Barueri: Manole, 2005.
LOSANO, Mario G. Sistema e estrutura no direito: o século XX. Trad. Luca Lamberti. São Paulo: M. Fontes, 2010. v. 2.
MAZZUOLI, Valério. Curso de direito internacional público. 3. ed. São Paulo: RT, 2009.
MAZZUOLI, Valério. O controle jurisdicional da convencio¬nalidade das leis. 2. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2011. (Direito e Ciências afins, v. 4).
MELGARÉ, Plínio. Direitos humanos: uma perspectiva contemporânea: para além dos reducionismos tradicionais. Revista de Informação Legislativa, Brasília, v. 39, n. 154, p. 71-92, abr./jun. 2002.192
MORAIS, José Luis Bolzan de; VIEIRA, Gustavo Oliveira. Estado e constituição em tempos de abertura: a crise conceitual e a transição paradigmática num ambiente intercultural. Revista de Estudos Constitucionais, Hermenêutica e Teoria do Direito, v. 5, n. 2, p. 133-140, jul./ dez. 2013.
NEVES, Marcelo. Transconstitucionalismo. São Paulo: M. Fontes, 2009.
NOGUEIRA ALCALÁ, Humberto. Diálogo interjuri¬sdiccional, control de convencionalidad y jurispruden¬cia del Tribunal Constitucional en período 2006-2011. Estudios Constitucionales, Santiago, v. 10, n. 2, p. 57-140, 2012.
PÉREZ LUÑO, Antonio Enrique. Derechos humanos, estado de derecho y constituición. 10. ed. Madrid: Tecnos, 2010.
PÉREZ LUÑO, Antonio Enrique. El desbordamiento de las fuentes del derecho. Madrid: La Ley, 2011.
PIOVESAN, Flávia. Direitos humanos e o direito constitucio¬nal internacional. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2102.
RUBIO LLORENTE, Francisco. La forma del poder: estudios sobre la constituición. Madrid: Centro de Estu¬dios Constitucionales, 1997.
SALDANHA, Jânia Maria Lopes. Novas geometrias e novos sentidos: internacionalização do Direito e inter-nacionalização do diálogo dos sistemas de justiça. In: STRECK, Lenio Luiz; ROCHA, Leonel Severo; EN-GELMANN, Wilson. Constituição, sistemas sociais e her¬menêutica. São Leopoldo: UNISINOS, 2012. (Anuário do Programa de Pós-Graduação em Direito da UNISI¬NOS: Mestrado e Doutorado, 9). p. 137-160.
STRECK, Lenio Luiz. Reflexões hermenêuticas acerca do papel (dirigente) da Constituição do Brasil e os (velhos) obstáculos à concretização dos direitos fundamen¬tais/sociais. In. CLÈVE, Clèmerson Merlin; SARLET, Ingo Wolfgang; PAGLIARINI, Alexandre Coutinho (Coord.). Direitos humanos e democracia. Rio de Janeiro: Forense, 2007. p. 385-405.
VERGOTTINI, Giuseppe De. Más allá del diálogo entre tribunales. Madrid: Civitas, 2010.
Descargas
Publicado
Número
Sección
Licencia
Authors who publish with this journal agree to the following terms:
a) Authors retain copyright over their work and grant the journal the right of first publication, with the work simultaneously licensed under a Creative Commons Attribution 4.0 International License (CC BY 4.0), which allows others to share the work with acknowledgement of the work's authorship and its initial publication in this journal.
b) Authors are able to enter into separate, additional contractual arrangements for the non-exclusive distribution of the journal's published version of the work (e.g., post it to an institutional repository or publish it in a book), with an acknowledgement of its initial publication in this journal.
c) Authors are permitted and encouraged to post their work online (e.g., in institutional repositories or on their personal website) prior to and during the submission process, as it can lead to productive exchanges, as well as earlier and greater citation of published work.