Novos desafios na definição de nacionalidade de empresas multinacionais e o instituto da proteção diplomática

Authors

DOI:

https://doi.org/10.5102/rdi.v20i2.9019

Keywords:

empresas, nacionalidade, proteção diplomática, novas formas empresariais, estruturas grupais

Abstract

A atribuição de nacionalidade às empresas é tema controvertido, em especial na demonstração de vínculo genuíno com o Estado. No Direito Internacional, essa atribuição é elemento basilar para quando há violação dos direitos dos estrangeiros no território de um Estado. Isso, pois, em razão do vínculo de nacionalidade, o próprio Estado de origem do indivíduo violado pode endossar a reclamação por meio da proteção diplomática. Trata-se de medida discricionária e centrada no conceito de nacionalidade. Para fins de proteção diplomática, o vínculo patrial das pessoas (naturais e jurídicas) com o Estado precisa ser genuíno. Embora a célebre decisão Barcelona Traction, que aborda a questão da proteção diplomática de pessoa jurídica tenha completado meio século e seja uma referência, a ratio decidendi não pode ser transportada para o contexto atual e generalizada. Apoiado no método dedutivo, a pesquisa confronta a definição de nacionalidade e sua aplicação às empresas. Os critérios priorizados pela Corte Internacional de Justiça (CIJ) estão em descompasso com as novas formas empresariais. Dado o fortalecimento de estruturas grupais é recomendável atenção ao controle acionário e admissão de tutela dos interesses dos acionistas. O artigo conclui que apesar das barreiras impostas pela proteção diplomática, é prematuro alegar a obsolescência da medida. Na tutela dos investimentos estrangeiros tanto melhor que sejam mantidas as vias já consagradas de proteção na esfera internacional, pois elas não impedem o surgimento de novas técnicas.

Author Biographies

  • Vivian Daniele Rocha Gabriel, Faculdade de Direito da USP.
    Doutora em Direito Internacional pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Advogada em Direito do Comércio Internacional em São Paulo/SP.
  • Sabrina Maria Fadel Becue, Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.
    Pós-doutorado em Direito Comercial - USP (em andamento). Doutora e Mestre em Direito Comercial pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco da Universidade de São Paulo (USP). Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). LL.M. International Commercial Law and Dispute Resolution vinculado a Swiss International Law School. Professora de Direito e Economia da FAE Business School (PR). Professora Substituta de Direito - Universidade Federal do Paraná - Departamento de Ciências Contábeis (julho a dezembro de 2022).

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Published

2023-11-14

How to Cite

Novos desafios na definição de nacionalidade de empresas multinacionais e o instituto da proteção diplomática. (2023). Revista de Direito Internacional, 20(2). https://doi.org/10.5102/rdi.v20i2.9019