Este artigo propõe esboçar algumas ideias sobre o conceito de esperança em Ernst Bloch, diferenciando-o do seu uso corrente pela tradição platônico-cristã. Para Bloch, a esperança (longe de ser um afeto passivo) é inerente à própria estrutura histórica e biológica do homem, constituindo uma margem contínua de possibilidade do presente, a partir da qual é possível uma verdadeira crítica deste. Ao defender a esperança como práxis diária, Bloch resgata o sentido positivo da utopia contra os detratores do sonho, distribuídos nas fileiras do niilismo e do pessimismo. Ademais, este artigo propõe uma contraposição entre o conceito de esperança em Bloch a partir de dois interlocutores privilegiados: Walter Benjamin e Peter Sloterdijk. O primeiro entendendo a esperança a partir de um forte traço messiânico, conectando-a a uma interrupção da continuidade histórica que, em tese, prepararia terreno para uma revolução social; o segundo, como uma força acumulada junto aos desejos de vingança.
Biografia do Autor
Mariana Carvalho, Universidade Federal da Bahia
Graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia (2013), vinculada ao grupo de pesquisa Instituições Políticas Subnacionais - Ufba/CNPq.