Justiça restaurativa como ação comunicativa: equilíbrio entre sistema e mundo da vida
DOI:
https://doi.org/10.5102/rbpp.v11i3.7386Palavras-chave:
Ação Comunicativa, Sistema, Mundo da Vida, Justiça RestaurativaResumo
O presente artigo científico tem por objetivo investigar como a Justiça Restaurativa e o consenso atuam de forma a atenuar a crise sistêmica do direito penal. Através de um método dialético e qualitativo, mediante pesquisa bibliográfica, e utilizando como principal marco teórico a obra “Teoria do Agir Comunicativo”, de Jürgen Habermas, busca-se demonstrar que, por se aproximar da situação ideal de fala, o procedimento restaurativo ajudaria a equilibrar o desengate entre o sistema penal e o mundo da vida e, por conseguinte, abrandaria a crise sistêmica criminal. Inicia-se tecendo esclarecimentos sobre os conceitos de sistema e mundo da vida, demonstrando como ocorreu a colonização deste por aquele através da evolução da sociedade moderna. Após, será abordada a crise do sistema criminal, analisando, em especial, a superlotação do sistema carcerário e os índices de violência no mundo ocidental. Na sequência, serão apresentados os tipos de ação social, a diferença entre ação estratégica e ação comunicativa, para, finalmente, destacar a racionalidade comunicativa como forma de superação da crise sistêmica. Por fim, serão explanados aspectos teóricos da Justiça Restaurativa, como uma nova forma de enxergar o crime, o sujeito ativo e a própria justiça, os quais serão confrontados com os postulados da situação ideal de fala, concluindo-se que, através destes mesmos postulados, os processos restaurativos catalisam a situação ideal de fala, sendo, portanto, uma forma de trazer o equilíbrio entre mundo da vida e sistema.Referências
HABERMAS, Jürgen. Teoria do Agir Comunicativo 1: racionalidade da ação e racionalização social. Tradução Paulo Astor Soethe. São Paulo: Martins Fontes, 2016.
HABERMAS, Jürgen. Consciência moral e agir comunicativo. Tradução Guido A. de Almeida. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1989.
HABERMAS, Jürgen. Teoria do Agir Comunicativo 2: sobre a crítica da razão funcionalista. Tradução Fábio Beno Siebeneichler. São Paulo: Martins Fontes, 2016.
INGRAM, David. Habermas e a dialética da razão. 2ª ed. Tradução de Sérgio Bath. Brasília: Editora UnB, 1994.
LEDERACH, John Paul. Transformação de Conflitos. Teoria e Prática. Trad. Tônia Van Acker. São Paulo: Palas Athena, 2012.
NEVES, Marcelo. Entre Têmis e Leviatã: Uma relação difícil. 3ª ed. Rio de Janeiro: Martins Fontes, 2016.
PIRES, Álvaro. La “Línea Maginot” en el derecho penal: la protección contra el crimen versus la protección contra el Príncipe. Nueva Doctrina Penal, Buenos Aires, nº 2001/A, 2001.
SIEBENEICHLER, Flávio Beno. Jurgen Habermas: razão comunicativa e emancipação. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1989.
ZEHR, Howard. Justiça Restaurativa. Teoria e Prática. Tradução de Tônia Van Acker. São Paulo: Palas Athena, 2012.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
a) Autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution 4.0 International (CC BY 4.0), que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e da publicação inicial nesta revista.
b) Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
c) Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado.