Advocacy organizar e irritar – estudo de caso da organização Conectas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5102/rbpp.v13i2.8505

Palavras-chave:

Advocacy, Irritação, Direitos Humanos, Conectas Direitos Humanos, Teoria dos Sistemas.

Resumo

Esse artigo se dedica ao estudo da advocacy e a responder ao seguinte problema de pesquisa: por qual razão a Conectas organiza o ruído do ambiente sobre direitos humanos? Como esse processo é feito? O primeiro tópico busca esclarecer no que a advocacy consiste, como acontece e o que a difere de outros movimentos de participação social. No segundo tópico é analisado a teoria que guia esse trabalho, a Teoria dos Sistemas Sociais desenvolvida por Niklas Luhmann. São apresentados os conceitos necessários para entender a dissertação e um momento é especialmente dedicado ao conceito da irritação. O último tópico é destinado ao estudo de caso, no qual analisamos as ações de advocacy realizadas pela organização não governamental Conectas Direitos Humanos, relacionando suas ações com os aspectos teóricos apresentados da Teoria dos Sistemas, para verificamos se nossa hipótese – de que a Conectas organiza o ruído do ambiente sobre direitos humanos por meio de suas ações de advocacy com o intuito de torná-lo mais audível, aumentando as chances de os temas tratados serem acolhidos pelos sistemas jurídico e político do Brasil – pode ser comprovada. O objetivo geral desse trabalho é analisar como as ações de advocacy da organização Conectas organizam o ruído do ambiente sobre direitos humanos de maneira a fazê-lo se apresentar como irritação para os sistemas político e jurídico do Brasil. Concluímos pensando que a efetividade das ações de advocacy podem se relacionar tanto com a irritação para a teoria dos sistemas quanto com o sentido denotativo da irritação.

Biografia do Autor

  • Caio Augusto Guimarães de Oliveira, Universidade Federal de Goiás
    Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Pampa. Mestre em Direitos Humanos pela Universidade Federal de Goiás.
  • Fernanda Busanello Ferreira, Universidade Federal de Goiás
    Professora do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Direitos Humanos (nível mestrado e doutorado) e da Faculdade de Direito da UFG. Doutorado em Direito pela Universidade Federal do Paraná.
  • Ulisses Pereira Terto Neto, Universidade Estadual de Goiás
    Doutorado em Direito (PhD in Law) pela University of Aberdeen. Mestre em Políticas Públicas pela Universidade Federal do Maranhão.

Referências

AMIDEI, Nancy. So You Want to Make a Difference: advocacy is the key. 16. ed. Washington Dc: Omb Watch, 2010.

BACHUR, João Paulo. Distanciamento e crítica: limites e possibilidades da teoria de sistemas de Niklas Luhmann. 2009. 376 f. Tese (Doutorado) - Curso de Pós-graduação em Ciência Política, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2009.

BECHMANN, Gotthard; STEHR, Nico. The legacy of Niklas Luhmann. Society, [s.l.], v. 39, n. 2, p.67-75, jan. 2002. Springer Science and Business Media LLC. http://dx.doi.org/10.1007/bf02717531.

BRELÀZ, Gabriela de. Advocacy das Organizações da Sociedade Civil: Principais Descobertas de um Estudo Comparativo entre Brasil e Estados Unidos. In: XXXI ENCONTRO DA ANPAD, 2007, Rio de Janeiro. Anais... . Rio de Janeiro: Anpad, 2007. p. 1 - 16. Disponível em: http://www.anpad.org.br/admin/pdf/APS-A1916.pdf. Acesso em: 15 out. 2019.

CASTRO, Daniela. Advocacy: como a sociedade pode influenciar os rumos do brasil. São Paulo: Sg-Amarante Editorial, 2016.

CAUSE. Advocacy Como Instrumento de Engajamento e Mobilização. São Paulo: Cause, 2017. Disponível em: http://www.cause.net.br/wp/wp-content/uploads/2017/10/estudo- cause-advocacy.pdf. Acesso em: 15 out. 2019.

CLARK, John D. Advocacy. In: ANHEIER, Helmut K.; TOEPLER, Stefan; LIST, Regina A. (Ed.). International Encyclopedia of Civil Society. Nova York: Springer, 2010. p. 12-18.

CORSI, Giancarlo; ESPOSITO, Elena; BARALDI, Claudio. Glosario sobre la teoría Social de Niklas Luhmann. Guadalajara: Universidad Iberoamericana, 1996.

COTANDA, Fernando Coutinho. O uso do termo sistema em Sociologia. In: XXVII CONGRESO DE LA ASOCIACIÓN LATINOAMERICANA DE SOCIOLOGÍA, 2009, Buenos Aires. Acta Academica. Buenos Aires: Asociación Latinoamericana de Sociología, 2009. p. 1 - 12.

FERREIRA, Fernanda Busanello. O grito! Dramaturgia e Funções dos Movimentos Sociais de Protesto. Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris, 2015.

GOHN, Maria da Glória. Movimentos sociais na contemporaneidade. Rev. Bras. Educ., Rio de Janeiro, v. 16, n. 47, p. 333-361, Ago. 2011. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-24782011000200005&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 14 Jan. 2020.

GOZETTO, Andréa; MACHADO, Leandro. Ainda é necessário esclarecer conceitos: lobby x advocacy. Disponível em: <http://www.cause.net.br/ainda-e-necessario-esclarecer-conceitos-lobby-x-advocacy/>. Acesso em: 27 dez. 2019.

JASPER, James M. Protesto: Uma introdução aos movimentos sociais. Rio de Janeiro: Zahar, 2016.

KECK, Margaret E.; SIKKINK, Kathryn. Activists Beyond Borders: Advocacy Networks in International Politics. Ithaca: Cornell University Press, 1998.

KNODT, Eva. Prefácio. In: LUHMANN, Niklas. Social Systems. Stanford: Stanford University Press, 1995.

KUNZLER, Caroline de Morais. A Teoria dos Sistemas de Niklas Luhmann. Revista Estudos de Sociologia, Araraquara, v. 9, n. 16, p.123-136, jul. 2004. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/estudos/article/view/146/144. Acesso em: 13 jul. 2018.

LEWIS, David. Nongovernmental Organizations Definition and History. In: ANHEIER, Helmut K.; TOEPLER, Stefan; LIST, Regina A. (Ed.). International Encyclopedia of Civil Society.

LIBARDONI, Marlene. Fundamentos Teóricos e Visão Estratégica da Advocacy. Revista Estudos Feministas, Florianópolis, v. 8, n. 2, p. 207, jan. 2000. ISSN 1806-9584. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/ref/article/view/11936. Acesso em: 15 out. 2019.

LUHMANN, Niklas. Introdução à Teoria dos Sistemas. Petrópolis: Vozes, 2010.

LUHMANN, Niklas. Sistemas sociais: Esboço de uma teoria geral. Petrópolis: Vozes, 2016.

MORGADO, Renato Pellegrini; GOZETTO, Andréa Cristina Oliveira. Guia para a construção de estratégias de advocacy: como influenciar políticas públicas. Piracicaba: Imaflora, 2019.

NEVES, Rômulo Figueira. Acoplamento estrutural, fechamento operacional e processos sobrecomunicativos na teoria dos sistemas sociais de Niklas Luhmann. 2005. 149 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Pós-graduação em Sociologia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005.

SHARMA, Ritu R. An Introduction to Advocacy: Training Guide. Washington: Sara, Support for Analysis and Research in Africa, 1997. Disponível em: https://resourcecentre.savethechildren.net/node/1981/pdf/1981.pdf. Acesso em: 29 jun. 2018.

SILVA, Viviane Regina da. Policy advocacy: contribuições para a construção de um conceito a partir de uma revisão sistemática da literatura. Revista da Esmesc, Florianópolis, v. 24, n. 30, p.395-417, 14 dez. 2017. Disponível em: https://revista.esmesc.org.br/re/article/view/176/149. Acesso em: 15 out. 2019.

VIARO, M. E. A importância do latim na atualidade. Revista de Ciências Humanas e Sociais, São Paulo, Unisa, v. 1, n. 1, p. 7-12, 1999.

WAIZBORT, Leopodol. Apresentação. 2017. In: LUHMANN, Niklas. Teoria dos Sistemas Socias na Prática: Vol. 1 Estrutura Social e Semântica. Petrópolis: Editora Vozes, 2018.

WHO, World Health Organization. Stop the Global Epidemic of Chronic Disease: A Guide to Successful Advocacy. Geneva: Who Press, 2006. Disponível em: http://www.who.int/chp/advocacy/chp.manual.EN-webfinal.pdf?ua=1. Acesso em: 15 out. 2019.

XAVIER, José Roberto Franco. La réception de l’opinion publique par le système de droit criminel. 2012. 381 f. Tese (Doutorado) - Curso de Faculté Des Sciences Sociales, Département de Criminologie, Université D’ottawa, Ottawa, 2012.

Downloads

Publicado

2023-10-23

Edição

Seção

Políticas públicas, justiça e formas alternativas de solução de controvérsias

Como Citar

Advocacy organizar e irritar – estudo de caso da organização Conectas. (2023). Revista Brasileira de Políticas Públicas, 13(2). https://doi.org/10.5102/rbpp.v13i2.8505