Judicialização do acesso à Cannabis medicinal no Brasil: o paradoxo do proibicionismo no controle de drogas e a efetivação do direito à saúde

Autores

  • Luiz Fernando Kazmierczak Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP)
  • Leonardo Bocchi Costa Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP)
  • Carla Graia Correia Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP)

DOI:

https://doi.org/10.5102/rbpp.v14i2.8816

Palavras-chave:

Cannabis medicinal, direito à saúde, judicialização da saúde, política de drogas, proibicionismo.

Resumo

A cannabis sativa é mundialmente reconhecida por suas inúmeras propriedades terapêuticas, as quais já se encontraram amplamente descritas na literatura médica, com destaque para os estudos que apontam seus benefícios no tratamento da epilepsia e mal de Alzheimer. Entretanto, no Brasil, assim como em diversos países, a cannabis pertence ao rol das substâncias cujo plantio, uso, porte, venda está tipificada na Lei de drogas (11.343/2006) e somente nos casos autorizados pela ANVISA e com prescrição médica, os pacientes podem fazer uso de medicamentos à base de canabinoides ou da planta in natura. Por esta razão nos indagamos: de que modo a política de drogas brasileira interfere no acesso à cannabis medicinal pelos pacientes que dela necessitam? A hipótese adotada nesse estudo é de que a política de drogas proibicionista adotada pelo Estado brasileiro interfere à medida que dificulta e gera significativos obstáculos ao acesso à cannabis medicinal no país, diante da marginalização verificada pela criminalização da planta. Assim, através do método dedutivo essa pesquisa concluiu que às restrições impostas pela Lei de drogas e as portarias da ANVISA tem promovido a judicialização de demandas para que os pacientes tenham acesso à cannabis medicinal e possam dar continuidade aos tratamentos médicos. Deste modo, resta claro que compreender de que forma a política proibicionista de drogas obsta o acesso à cannabis medicinal, nos leva a reconhecer as violações ao direito fundamental à saúde e revela a urgente necessidade de promovermos uma política criminal de drogas que tutele eficientemente os direitos dos cidadãos.

Biografia do Autor

  • Luiz Fernando Kazmierczak, Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP)
    Doutor em Direito Penal pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), Mestre em Ciência Jurídica pela Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) e Graduado em Direito pela Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) na Faculdade Estadual de Direito do Norte Pioneiro (2004). Atualmente é Professor Adjunto na graduação em Direito e na pós-graduação em Ciência Jurídica na Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), onde exerce o cargo de Diretor do Campus de Jacarezinho. Professor bolsista ERASMUS+ no ano de 2022 na Universidad de Murcia/Espanha.
  • Leonardo Bocchi Costa, Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP)
    Mestrando em Ciência Jurídica pela Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP)
  • Carla Graia Correia, Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP)
    Mestranda em Ciência Jurídica pela Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP)

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Publicado

2024-11-23

Edição

Seção

Políticas públicas em saúde, temas emergentes e polêmicos

Como Citar

Judicialização do acesso à Cannabis medicinal no Brasil: o paradoxo do proibicionismo no controle de drogas e a efetivação do direito à saúde. (2024). Revista Brasileira de Políticas Públicas, 14(2). https://doi.org/10.5102/rbpp.v14i2.8816