SILÊNCIO ESTRIDENTE: VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA E O PODER TRANSFORMADOR DE POLÍTICAS PÚBLICAS EFICIENTES
DOI:
https://doi.org/10.5102/rbpp.v15i2.9625Palavras-chave:
Violência Obstétrica, Políticas Públicas, Direitos ReprodutivosResumo
A violência obstétrica (VO) é uma problemática que tem ganhado destaque no cenário nacional e internacional e que evidencia a necessidade de políticas públicas (PP) eficazes para seu enfrentamento. Embora a conceituação e compreensão sobre a VO sejam fundamentais, elas por si só não são suficientes para abordar as controvérsias que a cercam. Iniciativas como a ‘Rede Cegonha’ e os grupos de pesquisa, como o ‘Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente’ têm buscado garantir os direitos reprodutivos e a atenção humanizada à mulher desde a confirmação da gravidez até o pós-parto. No entanto, apesar dos avanços, ainda existem desafios a serem superados. Também se faz necessária a implementação PP voltadas para a humanização do atendimento, a formação de profissionais e a definição clara de conceitos relacionados à VO. Nessa perspectiva, busca-se entender, por meio de uma pesquisa de natureza qualitativa e exploratória, realizada por meio de revisão bibliográfica e análise de dados, quais são os principais obstáculos na implementação de PP eficazes no combate à VO no Brasil. Ademais, pretende-se compreender a complexidade da violência obstétrica no Brasil, considerando múltiplas perspectivas e contextos, e explorando as diversas dimensões do problema para identificar desafios e oportunidades. Ao final, testar-se-á a hipótese de que a existência de lacunas na formulação, implementação e monitoramento de políticas públicas dificulta o combate efetivo à violência obstétrica, comprometendo a garantia dos direitos reprodutivos e a saúde das mulheres.Referências
ARENDT, Hannah. Sobre a Violência. 15. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2022. E-book. Tradução de André Duarte. Acesso em: 08 out. 2023.
BARROS, José D'Assunção. O uso dos conceitos: uma abordagem interdisciplinar. São Paulo: Vozes, 2021. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/. Acesso em: 08 out. 2023.
BÍBLIA, A.T. Gênesis. In: Bíblia Sagrada. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. Revista e Corrigida. Ed. de 1995. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1995.
BRASIL. Maria do Carmo Leal. Atenção ao parto e nascimento em maternidades no âmbito da Rede Cegonha: construindo dignidade e autonomia no parir e nascer no sus. Brasília: Ministério da Saúde, 2017. Disponível em: https://nascernobrasil.ensp.fiocruz.br/wp-content/uploads/2021/05/Avaliacaoredecegonha_Sumario.pdf. Acesso em: 01 out. 2023.
BRASIL. Ministério da Saúde. (ed.). Conheça a Rede Cegonha. 2013. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/folder/rede_cegonha.pdf. Acesso em: 30 jul. 2023.
BRASIL. Ministério da Saúde. (ed.). Diretriz Nacional de Assistência ao Parto Normal. Brasília: Ministério da Saúde, 2022. Disponível em: http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/diretriz_assistencia_parto_normal.pdf. Acesso em: 06 out. 2023.
CÂMARA DOS DEPUTADOS, 2023, Gabinete da Deputada Federal Any Ortiz. Plano de Trabalho da Comissão Especial para Estudo das Razões do Aumento de Denúncias de Violência Obstétrica e a Alta Taxa de Morte Materna no Brasil. Brasília: Câmara dos Deputados, 2023. Disponível em: https://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-temporarias/especiais/57a-legis. Acesso em: 05 out. 2023.
CENTER FOR REPRODUCTIVE RIGTHS (org.). Caso de Alyne da Silva Pimentel Teixeira (“Alyne”) v. Brasil. 2014. Disponível em: https://reproductiverights.org/sites/default/files/documents/LAC_Alyne_Factsheet_Portuguese_10%2024%. Acesso em: 05 out. 2023.
DOMINGUES, Filipe. Ministério diz que termo 'violência obstétrica' é 'inadequado' e deixará de ser usado pelo governo: expressão passou a ser considerada 'imprópria' pelo ministério, que alega agora que 'tanto o profissional de saúde quanto os de outras áreas não têm a intencionalidade de prejudicar ou causar dano'.. Expressão passou a ser considerada 'imprópria' pelo Ministério, que alega agora que 'tanto o profissional de saúde quanto os de outras áreas não têm a intencionalidade de prejudicar ou causar dano'.. 2019. Disponível em: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/05/07/ministerio-diz-que-termo-violencia-obstetrica-tem-conotacao-inadequada-e-deixara-de-ser-usado-pelo-governo.ghtml. Acesso em: 07 out. 2023.
EMMERICK, Rulian. Religião e Direitos Reprodutivos: o direito à vida e o aborto como campo de disputa política e religiosa. 2. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2021. 324 p.
ENSP - ESCOLA NACIONAL DE SAÚDE PÚBLICA (Brasil). Fiocruz (ed.). Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente. Grupo de Pesquisa. Disponível em: https://nascernobrasil.ensp.fiocruz.br/?page_id=1194. Acesso em: 04 out. 2023.
ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. Plano de Ação para a Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente (2018-2030). Washington, D.C: Opas/Oms, 2018. 70ª Sessão do Comitê Regional da OMS para as Américas. Disponível em: https://iris.paho.org/bitstream/handle/10665.2/49609/CD56-8-pt.pdf?sequence=16&isAllowed=y. Acesso em: 07 out. 2023.
FERREIRA, Michelle Elaine Siqueira; COUTINHO, Raquel Zanatta; QUEIROZ, Bernardo Lanza. Morbimortalidade materna no Brasil e a urgência de um sistema nacional de vigilância do near miss materno. Cadernos de Saúde Pública, [S.L.], v. 39, n. 8, p. 1-15, ago. 2023. FapUNIFESP (SciELO). http://dx.doi.org/10.1590/0102-311xpt013923. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csp/a/zkhZSJfQRygCcHpywLpKmGp/?lang=pt. Acesso em: 08 out. 2023.
LEAL, Maria do Carmo; BITTENCOURT, Sonia Duarte de Azevedo; CAETANO, Karina de Cássia; VILELA, Maria Esther de Albuquerque; THOMAZ, Erika Barbara Abreu Fonseca; GAMA, Silvana Granado Nogueira da; LAMY, Zeni Carvalho; SILVA, Luiza Beatriz Ribeiro Acioli de Araújo. Atenção ao Parto e Nascimento em Maternidades no Âmbito da Rede Cegonha: construindo dignidade e autonomia no parir e nascer no sus. Brasília: Ministério da Saúde, 2017. Disponível em: https://nascernobrasil.ensp.fiocruz.br/wp-content/uploads/2021/05/Avaliacaoredecegonha_Sumario.pdf. Acesso em: 01 out. 2023.
LIMA, Sarah Dayanna Lacerda Martins. Os Direitos Reprodutivos das Mulheres e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos: Uma Análise dos Casos Admitidos entre 2000 e 2013. Revista do Instituto Brasileiro de Direitos Humanos, Fortaleza, v. 14, n. 1, p. 335-350, 17 jul. 2016. Anual. Disponível em: https://revista.ibdh.org.br/index.php/ibdh/issue/view/21. Acesso em: 10 set. 2023.
MACEDO, Thaís Scuissiatto Borges de. Com dor darás à luz: retrato da violência obstétrica no brasil. [S.I]: Kindle Edition, 2018. E-book. Acesso em: 20 jun. 2023.
MARQUES, Silvia Badim. Violência obstétrica no Brasil: um conceito em construção para a garantia do direito integral à saúde das mulheres. Cadernos Ibero-Americanos de Direito Sanitário, [S.L.], v. 9, n. 1, p. 97-119, 1 abr. 2020. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1087840. Acesso em: 06 out. 2023.
MEDEIROS, Camila. Meu corpo, regras do Estado: a violência obstétrica como controle de corpos no brasil. [S.I]: Kindle Edition, 2021. E-book. Acesso em: 08 out. 2023.
MINISTÉRIO DA SAÚDE DO BRASIL (MS). Direitos sexuais, direitos reprodutivos e métodos anticoncepcionais. Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Brasília: Ministério da Saúde, 2009. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/direitos_sexuais_reprodutivos_metodos_anticoncepcionais.pdf. Acesso em: 01 nov. 2023.
MODENA, Maura Regina. Conceitos e forma de violência. Porto Alegre: Educs, 2016. E-book. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/. Acesso em: 08 out. 2023.
ONU. Transformando Nosso Mundo: A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. 2015. Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/91863-agenda-2030-para-o-desenvolvimento-sustent%C3%A1vel. Acesso em: 10 set. 2023.
ONU. Relatório da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento. 1994. Disponível em: https://brazil.unfpa.org/pt-br/publications/relat%C3%B3rio-da-confer%C3%AAncia-internacional-sobre-popula%C3%A7%C3%A3o-e-desenvolvimento-confer%C3%AAncia-do. Acesso em: 20 set. 2023.
ONU. Declaração e Plataforma de Ação da IV Conferência Mundial sobre a Mulher. 1995. Disponível em: https://www.onumulheres.org.br/wp-content/uploads/2013/03/declaracao_beijing.pdf. Acesso em: 20 set. 2023.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. Prevenção e eliminação de abusos, desrespeito e maus-tratos durante o parto em instituições de saúde. [S.I]: Oms, 2014. Disponível em: https://iris.who.int/bitstream/handle/10665/134588/WHO_RHR_14.23_por.pdf?sequence=3. Acesso em: 03 out. 2023.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. Recomendações da OMS sobre cuidados maternos e neonatais para uma experiência pós-natal positiva. [S.I]: Oms, 2022. Disponível em: https://iris.who.int/bitstream/handle/10665/354560/9789240048515-por.pdf?sequence=1. Acesso em: 08 out. 2023.
PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO (PNUD). Human Development Report 1994. New York: Oxford University Press, 1994. Disponível em: https://hdr.undp.org/content/human-development-report-1995. Acesso em: 10 jul. 2023.
ROSER, Max; RITCHIE, Hannah. Maternal Mortality. Our World in Data. Disponível em: https://ourworldindata.org/maternal-mortality#maternal-deaths-by-country. Acesso em: 07 out. 2023.
SAUAIA, Artenira da Silva e Silva; SERRA, Maiane Cibele de Mesquita. Uma Dor Além do Parto: violência obstétrica em foco. Revista de Direitos Humanos e Efetividade, Santa Catarina, v. 2, n. 1, p. 128-147, 1 jun. 2016. Jan.-Junho. Conselho Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Direito - CONPEDI. http://dx.doi.org/10.26668/indexlawjournals/2526-0022/2016.v2i1.1076. Disponível em: https://indexlaw.org/index.php/revistadhe/article/view/1076. Acesso em: 6 out. 2023.
SPADA, Bruno. Comissão aprova projeto que criminaliza violência praticada no parto contra mulheres: proposta continua tramitando na câmara antes de seguir para o senado. Proposta continua tramitando na Câmara antes de seguir para o Senado. 2023. Câmara dos Deputados. Disponível em: https://www.camara.leg.br/noticias/989261-comissao-aprova-projeto-que-criminaliza-violencia-praticada-no-parto-contra-mulheres/#:~:text=A%20Comiss%C3%A3o%20de%20Previd%C3%AAncia%2C%20Assist%C3%AAncia,p%C3%B3s%2Dparto%20e%20o%20puerp%C3%A9rio. Acesso em: 04 out. 2023.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
“Eu XXXX declaro que em caso de aceitação do artigo inédito, a Revista Brasileira de Políticas Públicas passa a ter os direitos autorais a ele referentes sendo vedada qualquer reprodução total ou parcial, em qualquer outro meio de divulgação impresso ou eletrônico. Em caso de necessidade, autorização prévia deverá ser solicitada por escrito junto ao Editor-gerente da RBPP”.
Revista Brasileira de Políticas Públicas do UniCEUB está licenciada sob uma LICENÇA CREATIVE COMMONS licence Creative Commons Attribution 4.0 International.
http://www.publicacoesacademicas.uniceub.br/