A governança multinível e o controle externo em políticas públicas de saúde no âmbito local: a possibilidade indutora dos pareceres do Tribunal de Contas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5102/rbpp.v12i3.8009

Palavras-chave:

Direito à saúde. Federalismo brasileiro. Governança Multinível. Políticas Públicas. Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul.

Resumo

O objetivo deste artigo é examinar o controle externo realizado pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul (TCE-RS) e a gestão das políticas públicas de saúde em âmbito local pelo viés da governança multinível. O problema da pesquisa parte do seguinte questionamento: no âmbito de atuação do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul é possível afirmar que este tem indicado diretrizes aos municípios para a gestão do sistema de saúde pública, alicerçado na governança, quando realiza o controle da prestação do serviço, e quais são as potencialidades da fiscalização positiva para concretização da eficiência administrativa? Visando responder tal problemática, utiliza-se o método de abordagem indutivo e de procedimento hermenêutico, e a técnica de pesquisa bibliográfica. Assim, divide-se a investigação em três momentos: primeiro, aborda-se o federalismo cooperativo, alicerçado na governança multinível, e as competências federativas; segundo, verifica-se o Sistema Único de Saúde, as competências federativas e o município na gestão da saúde. No terceiro, conceitua-se o controle desenvolvido pelos Tribunal de Contas nos municípios e analisa-se relatórios do TCE-RS referentes às políticas públicas de saúde, tendo como base a governança multinível. Por fim, conclui-se que o órgão de contas por meio das auditorias e da nova forma de avaliação de políticas públicas tende a induzir novas práticas para gestão nos municípios auditados.

Biografia do Autor

  • Betieli da Rosa Sauzem Machado, Universidade de Santa Cruz do Sul - UNISC
    Doutoranda em Direitos Sociais e Políticas Públicas pelo Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade de Santa Cruz do Sul, com bolsa PROSUC/CAPES, modalidade I, dedicação exclusiva (2021). Mestre em Direitos Sociais e Políticas Públicas pelo Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade de Santa Cruz do Sul (2020). Pós-Graduada em Direito Processual Público pela Universidade de Santa Cruz do Sul (2020). Graduada em Direito pela Universidade de Santa Cruz do Sul (2016). Integrante do grupo de estudos Gestão Local e Políticas Públicas, coordenado pelo Prof. Ricardo Hermany. ORCID: E-mail: .
  • Ricardo Hermany, Universidade de Santa Cruz do Sul - UNISC
    Professor da graduação e do Programa de Pós-Graduação em Direito- Mestrado/Doutorado da Universidade de Santa Cruz do Sul – UNISC; Pós-Doutor na Universidade de Lisboa (2011); Doutor em Direito pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (2003) e Doutorado sanduíche pela Universidade de Lisboa (2003); Mestre em Direito pela Universidade de Santa Cruz do Sul (1999); Coordenador do grupo de estudos Gestão Local e Políticas Públicas – UNISC. Consultor jurídico da Confederação Nacional dos Municípios – CNM. ORCID: . E-mail: .

Referências

ABRÚCIO, Fernando Luiz. SYDOW. Federalismo e Governança Multinível em Regiões Metropolitanas: O Caso Brasileiro. In: CARNEIRO, José Brasiliense; FREY, Klaus. Governança Multinível e desenvolvimento regional sustentável: Experiência do Brasil e da Alemanha. Oficina municipal: Pinheiros, 2018.

ALMEIDA, Fernanda Dias Menezes de. Competências na Constituição de 1988. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2000.

AZEVEDO, Sérgio; ANASTASIA, Fátima. Governança, accountability e responsividade. São Paulo: Revista de Economia Política, v. 22, n. 1 (85), jan./mar., 2002.

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 05 out. 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br>. Acesso em: 28 jun. 2021.

BRASIL. Lei n. 8.080, de 19 de setembro de 1990a. Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. Disponível em: < http://por tal.saude.gov.br/portal/ arquivos/pdf/lei8080.pdf>. Acesso em: 28 jun. 2021.

BRASIL. Lei n. 8.142, de 28 de dezembro de 1990b. Dispõe sobre a participação da comunidade na gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) e sobre as transferências intergovernamentais de recursos financeiros na área da saúde e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8142.htm>. Acesso em: 28 jun. 2021.

BRASIL. O SUS no seu município: garantindo saúde para todos. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2009.

BARACHO, José Alfredo de Oliveira. O princípio da subsidiariedade: conceito e evolução. Rio de Janeiro: Forense, 1997.

BERCOVICI, Gilberto. Dilemas do Estado Federal Brasileiro. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2004.

BUCCI, Maria Paula Dallari. Fundamentos para uma teoria jurídica das políticas públicas. São Paulo: Saraiva, 2013.

CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo. 19. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2008.

CASSEB, Paulo Adib. Federalismo: aspectos contemporâneos. Coleção saber jurídico. São Paulo: Juarez de Oliveira, 1999.

CHADID, Ronaldo. Os Tribunais de Contas e a eficiência das políticas públicas. Tribunal de Contas do Estado do Mato Grosso do Sul, 2013. Disponível em: <https://atricon.org.br/os-tribunais-de-contas-e-a-eficiencia-das-politicas-publicas/>. Acesso em: 30 jun. 2021.

CORAZZA, Ana Helena Scalco. Os contratos de gestão e os termos de parceria firmados entre as organizações sociais e as organizações da sociedade civil de interesse público e os municípios para a execução de serviços públicos de saúde: reflexões e propostas à luz da teoria da ação comunicativa. Dissertação (Mestrado em Direito), Universidade de Santa Cruz do Sul, 2017.

CORRALO, Giovani da Silva. O poder municipal na elaboração e execução de políticas públicas. 2012. Revista do Direito. Santa Cruz do Sul, n. 37, p. 116-130, jan/jun. 2012.

COSTA, Luiz Bernardo Dias. Tribunal de Contas: evolução e principais atribuições no Estado Democrático de Direito. Belo Horizonte: Fórum, 2006.

DINIZ, Eli. Globalização, reforma do Estado e teoria democrática contemporânea. São Paulo: São Paulo em Perspectiva, 2001.

FERREIRA, Gustavo Sampaio Telles. Federalismo constitucional e reforma federativa. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2012.

FERREIRA, Wolgran Junqueira. Comentário à Constituição de 1988. Campinas: Lumen iuris, 1989.

GIROLDO, Camila Nayara; BOSSOLI, Marlene Lempfer. Autonomia municipal e federalismo fiscal brasileiro. Revista de Direito Público, Londrina, v. 7, n. 3, p. 3-20, set./dez. 2012.

HOOGHE, Liesbet; MARKS, Gary. Types of multi-level governance. European Integration

online Papers, v. 5, n. 11, jun. 2001.

HOOGHE, Liesbet; MARKS, Gary. Unravelling the central state, but how? Types of multi-level governance. American Political Science Review, v. 97, n. 2, p. 233-243, maio, 2003.

HRYNIEWIECKA, Karolina Boroska. Multi-level governance and the role of the regions in the European Union: conceptual challenges and practical applications. Cuadernos Europeos de Deusto. n. 45. p. 177-207, 2011.

KELSEN, Hans. Teoria geral do direito e do Estado. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

LIMA, Edilberto Carlos Pontes; DINIZ, Gleison Mendonça. Avaliação de políticas públicas pelos Tribunais de Contas: fundamentos, práticas e a experiência nacional e internacional, p. 399-416. In: SACHSIDA, Adolfo (Org.). Políticas Públicas: avaliando mais de meio trilhão de reais em gastos públicos. Brasília: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, 2018.

MENEGUIN, Fernando B; FREITAS, Igor Vilas Boas de. Aplicação em avaliação de políticas públicas: metodologia e estudos de casos. In: Núcleo de Estudos e Pesquisas do Senado, n. 123, mar., 2013. Disponível em: . Acesso em: 30 jun. 2021.

MILLON, Lara Vanessa. Participação popular nas políticas públicas municipais: eficácia e implementação. Revista de Direito, v.13, n.17, p. 59-71, 2010.

PARDINI, Frederico. Tribunal de contas da União: órgão de destaque constitucional. Belo Horizonte: Faculdade de Direito da UFMG, 1997. (Tese de doutoramento em Direito).

PETERS, B. G. A cybernetic model of governance. In: LEVI-FAUR, D. Oxford Handbook of Governance. Oxford: Oxford University Press, 2012.

PINTO, Élida Graziane. Descompasso federativo no financiamento da saúde pública brasileira, 2015. Disponível em: <http://www.conjur.com.br/2015-abr-04/elida-pinto-descompassofederativo-financiamento-saude>. Acesso em: 30 jun. 2021.

PUCCINELLI JR, André. O federalismo cooperativo e a reserva do possível no âmbito da saúde, educação e saúde pública. Tese (Curso de direito), Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2012.

RIO GRANDE DO SUL. Tribunal de Contas do Estado. Consulta processual pública. Disponível em: <https://portal.tce.rs.gov.br>. Acesso em: 01 jul. 2021.

SANTOS, Angela Penalva. Autonomia municipal no contexto federativo brasileiro. Revista Paranaense de Desenvolvimento. Curitiba, n. 120, p. 209-230, jan./jun. 2011.

SANTOS, Lenir. CARVALHO, Guido Ivan. SUS: Sistema Único de Saúde - comentários à Lei Orgânica da Saúde - Leis nº 8,080/90 e nº 8.142/90. 4. ed. Campinas: UNICAMP, 2006.

SCHMIDT, João P. Políticas públicas: aspectos conceituais, metodológicos e abordagens teóricas. 2018. Revista do Direito. Santa Cruz do Sul, v. 3, n. 56, p. 119-149, set./dez. 2018.

SCHWANTZ, Giuliani; OLIVEIRA, José Alfredo Fank de. Avaliação de Políticas Públicas pelo Tribunal de Contas do Estado: realidade ou desafio?, p. 30-31. Achados de Auditores. Porto Alegre: CEAPE – Sindicato de auditores públicos externos do TCE-RS, n. 8, jun. 2019. Disponível em: <https://www.ceapetce.org.br/ uploads/documentos/5d0791e3b1ea34.691453 93.pdf>. Acesso em: 13 jun. 2021.

SOUZA, Celina. Federalismo, desenho constitucional e instituições federativas no Brasil pós-1988. Revista de Sociologia Política. Curitiba, n. 24, p. 105-121, jun. 2005.

TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. Referencial Básico de Governança Organizacional: para organizações públicas e outros entes jurisdicionados ao TCU. Brasília: TCU, 3. ed., 2020.

Downloads

Publicado

2023-02-15

Edição

Seção

Pública pública em saúde

Como Citar

A governança multinível e o controle externo em políticas públicas de saúde no âmbito local: a possibilidade indutora dos pareceres do Tribunal de Contas. (2023). Revista Brasileira de Políticas Públicas, 12(3). https://doi.org/10.5102/rbpp.v12i3.8009